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IMPRENSA

NORTEL: CONVERGÊNCIA PLENA PODE SER REALIDADE NO BRASIL EM 5 ANOS

São Paulo, 14 - A fabricante de equipamentos Nortel acredita que a convergência de tecnologias, incluindo redes e sistemas, será uma realidade plena na vida das operadoras brasileiras dentro de aproximadamente cinco anos. Mas os clientes deverão receber algumas ofertas de serviços convergentes dentro de dois anos, disse o presidente da Nortel, Rodrigo Abreu, em entrevista à Agência Estado.

De acordo com o executivo, algumas iniciativas de convergência já começam a acontecer, como planos conjuntos de minutos de serviços fixos e móveis. Mas, ressaltou que ainda há muito a ser feito. Ele acredita que o avanço desse processo deve passar por um aumento significativo na penetração da banda larga, pela oferta de serviços de IP para varejo e ainda por uma ampliação e sofisticação do conceito de mobilidade. Somente depois de tudo isso é que poderia haver realmente uma nova arquitetura de redes, para integração completa.

Abreu destacou que a integração de redes e serviços é um processo de médio e longo prazo e que sua velocidade de implementação dependerá das demandas solicitadas pelos próprios usuários. O presidente da Nortel não se mostrou preocupado se o nível de sofisticação do cliente brasileiro é alto ou baixo ou se a renda é compatível. Ele destacou que todas essas dúvidas existiram no início da implementação da rede móvel no País e lembrou que hoje a telefonia móvel já tem quase 74 milhões de assinantes.

O desenvolvimento de novos aplicativos, na visão de Abreu, será determinante na promoção da convergência. Para ele, as soluções de voz e vídeo é que devem ser os principais serviços a agregar valor e surtir impacto na sofisticação da demanda. O executivo apresentará algumas possíveis novas aplicações, fruto da convergência, durante o 49º TeleBrasil, que acontecerá na Costa do Sauípe (BA), entre os dias 23 e 26 de junho. O tema do encontro deste ano será "Telecomunicações: aperfeiçoamento do modelo".

O presidente da Nortel acredita que atualmente os serviços de voz são muito pouco flexíveis e sem funcionalidades específicas, além da conversação. De acordo com Abreu, quando VoIP tiver uma maior penetração, será possível controlar de forma mais eficiente os serviços de voz com pouco esforço tecnológico. É viável oferecer ao cliente possibilidades como lista de usuários com discagens abreviadas, seleção para recebimento de chamadas, filtro de mensagens, entre outros. Vídeo sob demanda também deve ser uma grande alavanca para o uso de serviços sofisticados, disse Abreu. Neste caso, a compra de conteúdo e a oferta pelas operadoras tende a ser uma realidade em breve.

No caso da mobilidade, a expectativa é que haja uma grande ampliação do conceito e ele deixe de ser ligado apenas ao celular. A idéia, no futuro, é que o usuário possa carregar com ele toda a possibilidade de contato que dispõe, incluindo os serviços atrelados.

Esse conjunto de modificações no padrão de demanda do usuário, segundo o presidente da Nortel, fará com que as empresas de telefonia tenham que rever seu modelo de negócios e focar os esforços na oferta de serviços convergentes. Por isso, as companhias começarão a pensar, cada vez mais, em como integrar as atividades fixo-móvel, em como se posicionar diante de VoIP e ainda como oferecer conteúdo.

(Graziella Valenti)

www.estadao.com.br